quarta-feira, 8 de junho de 2011

'O governo dialoga com bombas, gás lacrimogêneo e spray de pimenta', afirma bombeiro

O Portal do PSTU conversou com o cabo Cleber de Araujo Rosa, bombeiro no Rio de Janeiro. Ele falou sobre a brutal repressão do estado contra o movimento e da falta de negociação das autoridades com os trabalhadores mobilizados
Portal do PSTU - Como o governo vem tratando as manifestações que ocorrem há mais de um mês?

O governo vem dialogando com bombas, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e armamento letal. Está ‘dialogando’ com o Bope contra os bombeiros.

Explique um pouco o que ocorreu entre a sexta, dia 3, e a manhã de sábado

A afirmação do governo de que o movimento é de uma minoria e com motivação política se mostrou falsa. Havia milhares de bombeiros na sexta-feira. E hoje estamos na Alerj, num domingo, com uma grande mobilização de bombeiros, mesmo com a baixa de 439 presos políticos. A responsabilidade de todos os problemas é única e exclusivamente fruto da falta de abertura de diálogo pelo comando geral da corporação e do governo do estado. A nossa movimentação já vinha há muito tempo, e as únicas respostas verbais que tínhamos do governador eram ironias e coisas sem importância. Isso fez com que nós, manifestantes, tivéssemos que nos esforçar cada vez mais para chamar a atenção da sociedade. Na sexta optamos por entrar no nosso quartel central para nos manter organizados, ter os ânimos e emoções sob controle e para buscar abrigo. O governo do estado, vendo a ampla repercussão e apoio do conjunto dos bombeiros e da sociedade, mandou o BOPE e a tropa de choque, com todo o seu aparato, para tentar dispersar a mobilização. Diante da invasão do BOPE no quartel, utilizando principalmente bombas de gás lacrimogêneo, muitos tiveram que sair para fugir do gás e não puderam regressar. Os que ficaram foram presos. Toda a violência dessa ação foi feita tendo mulheres e crianças no local.

Qual a situação dos presos?

Cabo Cleber:Ontem (dia 4) advogados da OAB tiveram muita dificuldade para ter acesso aos presos políticos. Os celulares foram tomados. A falta de acesso que a PM impôs aos presos permitiu que eles ficassem sem as mínimas condições de permanência no local. Faltaram direitos básicos, como roupas, comida, banho, cama, acesso a banheiros.

Quais são as reivindicações dos bombeiros?

Cabo Cleber: Reivindicamos R$ 2.000,00 como piso salarial (hoje o nosso salário é de R$ 950,00), vale-transporte e fim da política de gratificação, que escamoteia a necessidade de aumento salarial.

Quais foram as atitudes do governo do estado em relação às reivindicações ?

Desde o início do movimento, quando começou, tentamos cumprir a ordem hierárquica, mas o ex-comandante geral se negou a receber os nossos representantes. E o governador manteve a postura do ex-comandante, tratando o movimento como desnecessário e ilegal.

Justiça determina novamente pagamento de salários aos professores

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve nesta sexta-feira (3) a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que determina o pagamento dos salários dos professores grevistas. O presidente do STF, ministro Cézar Peluzo, negou o pedido de suspensão de liminar impetrado pelo Governo do Estado, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A decisão já foi registrada no site oficial do STF e o governo deve ser notificado ainda hoje. O STF foi a última instância para qual o governo poderia recorrer, não restando assim mais nenhuma possibildade de recurso.


Essa é mais uma vitória do movimento grevista! De forma autoritária, o governo cortou os salários dos professores. Na UEFS, UESB e UESC, os docentes já estão com 2 meses de salários cortados. Na UNEB, devido à entrada posterior na greve, os professores tiveram seus salários cortados neste mês.

domingo, 5 de junho de 2011

GREVE DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS DA BAHIA CONTINUA!

GREVE CONTINUA!

Escrito por www.souzaandrade.com.br


Dom, 05 de Junho de 2011 11:29

A greve de professores das universidades estaduais está mantida até que as negociações com o governo terminem, segundo informações da assessoria do movimento. Está marcada para esta segunda-feira (6) uma reunião com representantes do governo na sede da Secretaria de Educação, em Salvador. Até lá, os professores e estudantes continuarão ocupando a Assembleia Legislativa no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Na segunda, serão analisadas as propostas elaboradas pelos administradores das instituições de ensino para professores e governo, em uma mesa oficial de negociação. A categoria em greve avaliou que as soluções apresentadas eram viáveis para que se iniciasse uma nova rodada de negociações. Caso aja acordo entre governo e professores, cada universidade deve se reunir em assembleia para avaliar as medidas e votar pelo fim ou não da greve. O movimento teve início no dia 8 de abril, quando a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) entraram em greve. Três dias depois, no dia 11 de abril, foi a vez dos professores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) decretarem a greve. Por último, no último dia 26, os professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) ingressaram no movimento.

São João em Ubaíra

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Professores e estudantes ocupam assembléia legislativa em Salvador

 
Mais uma vez Wagner rejeita proposta dos docentes e mantém política (neo) carlista na Bahia.

Mais uma vez, em contraposição à flexibilidade e à disposição do movimento em negociar, o governo responde com intransigência à nova proposta da categoria. Na tarde de ontem, 02 de junho, o governo, através da CODES, afirmou, por email, que a proposta “não é aceitável para reabertura do processo de negociação, pois, a tabela apresentada e a proposta de agendamento de reunião prévia, entre outros pontos, já foram objeto de discussões anteriores, não gerando, portanto, fatos novos, justificadores de nova rodada.”

Diferente do afirmado pelo governo, a proposta enviada pelo Fórum das ADs, no dia 01 de junho (veja aqui), é diferente do discutido até então nas mesas de negociação. O documento propõe a redução do prazo de vigência do Acordo para 02 anos e diminuição do prazo de incorporação da CET para 03 anos. No entanto, o governo sequer se disponibilizou a discutir, em reunião com o movimento, a totalidade da proposta, mantendo suspensas as negociações.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Amanda Gurgel agora em charge

O chargista Ivan Cabral da Silva levou para o mundo das charges a batalha pela valorização do professor tão bem representada hoje na figura da nossa compaheira Amanda Gurgel. Na charge Amanda se confronta com a governadora Rosalba que se esconde na famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal para tratar a educação e os educadores com total irresponsabilidade.

“No olho da rua” ou a tragédia do neoliberalismo:Dica de filme

O filme “No olho da rua”, dirigido por Rogério Corrêa, estreou, no dia 13 de maio. Mesmo tendo como protagonista um ator “global” (Murilo Rosa), a estréia ocorreu sem muito alarde e em alguns poucos cinemas. Afinal, são poucos os empresários interessados em oferecer ao grande público um filme que, na essência, descreve como a exploração capitalista e, principalmente, o desemprego podem literalmente destruir um ser humano.

Cabe lembrar, aliás, que por este mesmo motivo o filme, com um custo “mínimo” (em termos cinematográficos) de R$ 1 milhão, teve escassos patrocinadores, o que fez com que o diretor levasse nada menos do que 10 anos para realizar o projeto. Contudo, para todos aqueles preocupados com os rumos da sociedade e como suas contradições podem ser representadas nos meios de comunicação de massa, o filme tem seu grande mérito exatamente no seu tema e na forma como ele foi abordado.

É que isto que possibilita uma reflexão sobre o impacto dos mecanismos econômicos, políticos e ideológicos que têm caracterizado o capitalismo na sua fase neoliberal e que, no Brasil, ganharam força a partir do início dos anos 1990, primeiro com FHC, depois, e com mais intensidade, com o lulismo.

Graças a estes mecanismos, a tragédia vivida pelo personagem Otoniel, (ou Oton, como é chamado pelos amigos), lamentavelmente, ecoa histórias não menos terríveis, mas completamente reais, que podem ser contadas por milhões de trabalhadores que, nas últimas décadas, perderam tudo, ou quase tudo, inclusive sua dignidade juntamente com seus empregos